• Dulce Ribeiro

Sobre Viver

O exercício da sobrevivência nos conecta com a capacidade do EU. Se nos animais a luta para sobreviver leva em conta a preservação da espécie, nos seres humanos traz a possibilidade consciente de transformação. O esforço para sobreviver a situações difíceis (sofrimentos) da nossa vida, pode nos conduzir a um outro patamar de conhecimento sobre nós mesmos. Temos condições de identificar novos comportamentos e competências desconhecidas até então. Ao sobrevivermos ganhamos mais confiança e conhecimento sobre nós mesmos. Sim, EU consegui!


O autoconhecimento permite que nos reconheçamos uns aos outros como seres humanos diferentes e semelhantes. Como eu reconheço um humano? Além do físico, pelo seu impacto no ambiente, nas relações que estabelece, no modo como conduz a sua vida. Eu só posso nutrir o que (re) conheço. O conhecimento é vital para estabelecermos um relacionamento. Para ser empático com o outro é preciso reconhecê-lo como um humano.


Ao pedir para uma criança que pegue algo na geladeira, ela terá que (re) conhecer esse objeto, para ir em sua direção. Quando nos reconhecemos em alguma habilidade torna-se possível nutri-la e amplia-la. Um exemplo é quando nos perdemos ao tentar encontrar um endereço ou quando o waze perde a conexão. Há uma breve crise de sobrevivência, se estiver escuro, ainda maior. Como vou sair (sobreviver) desta situação? O que vai determinar o modo como resolvo o problema (crise) é saber como lidar com ele. Qual o significado do que estou sentindo? Ao reconhecer o meu objetivo (quero me achar) e me sobrepor a ele, eu posso ir além da crise, sobreviver. Dei o meu melhor para sair da situação. Consegui!


Aquele que “renasce” é o que consegue sair da crise, entende o drama e desenvolve estratégias para lidar com a situação. Consegue nutrir o seu próprio EU através do conhecimento das suas reações, gerando oportunidades de transformação. É um processo de autoaprendizagem. Então, eu quero me aproximar desse EU que eu reconheço em mim, que sobrevive, que faz escolhas, decide e assume a responsabilidade. Aparece “renascido” após se perder. Agora, como achar forças para dar o meu melhor e não desistir? O que me leva em direção ao meu melhor? Onde encontro os meus valores? Por que faço isso ou aquilo? Como impacto os outros? Todas essas respostas estão no EU. Quando alguém diz para o outro qual é o melhor para ele, não sendo um deficiente, uma criança, alguém em vulnerabilidade, aquele é um ditador. Nos momentos difíceis nós queremos terceirizar a decisão, isso enfraquece o EU que está ali pronto para sobreviver, como os animais. O que me cabe eu quero resolver. Além de entender a trama, eu quero incluir a mim próprio como protagonista. Aquele que assume a responsabilidade, esse é o sujeito. O Sujeito (EU) tem três grandes qualidades: resistência, capacidade de conhecer e é criador.


Como posso identificar e esclarecer o Sujeito? Através de terapia consegue-se reconhecer padrões de comportamento do tipo “sob pressão eu me deprimo ou fico com raiva, agressivo, etc.”. Esses padrões estão no Corpo Astral, no Sentir. Criamos estratégias para lidar com esses sentimentos. Outra forma de reconhecer o Sujeito é através dos hábitos adquiridos desde a infância, localizados no corpo vital (etérico). Agora, de onde vem a força para eu transformar comportamentos e hábitos? Do meu EU. Do meu mundo interno. O EU é o mais importante. Isso não é egoísmo, ao contrário. Quando eu me perco do meu EU, a minha capacidade de sobreviver fica subutilizada e me sinto perdido, com medo, desesperado, inseguro.


O autoconhecimento nos leva a assumir o que há de melhor em nós. Quando não estamos conectados com o nosso EU, temos a tendência de transferir a responsabilidade para os outros, encontramos um culpado, um salvador e viramos vítimas. Podemos acreditar que a causa da nossa crise (necessidade de sobrevivência) está na falta de dinheiro, de oportunidade, de sorte, etc. Ao nos colocarmos no centro como protagonistas da crise damos chance para que o EU cuide da situação e não perdemos a noção dos nossos ideais e da nossa responsabilidade. Vivenciar o humano (divino) tem a ver com se conhecer e poder, então, reconhecer o outro, tornando-o muito importante. O autoconhecimento é a base para o respeito e o amor. Ser livre, ser autônomo, aprender a lidar com os constrangimentos, gera autonomia e condições para valorizar tanto a liberdade do outro quanto a minha. Se eu me sinto responsável pelo meu EU, eu reconheço a responsabilidade do outro, sem desqualificá-lo ou considerá-lo menos. A noção de si próprio cria relacionamentos responsáveis e a qualidade do EU flui para o Social. Quando eu cultivo o autoconhecimento com amor e liberdade, torna-se possível estabelecer a confiança.


Ao atuarmos a partir do humano (do nosso melhor), criamos um campo reconhecido por outros, onde o mais valorizado pode surgir e a oportunidade de se obter um clima de paz e segurança pode se abrir. Surge aí a arte e a vontade de criar. Tudo na vida nos dirige a nós mesmos. Reconhecer-se a si próprio é estabelecer uma relação com a natureza, do nascimento a morte.


Como trazer o humano para o nosso dia-a-dia?

  1. Através da calma interior (respirar, meditar, pensar duas vezes antes de agir. Escolher calar ou falar).

  2. Fazer algo melhor todo dia. Arrumar a casa pode ser o grande objetivo, mas eu não encontro tempo. Vou arrumar o quarto ou a cama ou a gaveta. Arrumar algo pequeno para exercitar o humano. Cultivar o relacionamento com pequenos atos, reconhecendo-se como capaz de fazer algo a partir da própria vontade, do EU.


Precisamos nos reconhecer como possibilidade de transformar, de atuar diferente, cultivando pequenas mudanças. Abrir espaço para que o melhor de nós apareça em pequenas doses de sobrevivência diária é o nosso desafio como seres humanos.


(Reflexões sobre a palestra do Dr. Derblai Sebben, promovida pelo EcoSocial)

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