• Dulce Ribeiro

A síndrome da impostora


Apesar de ser um nome popular, não se trata de uma síndrome, pois a sensação de ser uma

impostora ou um impostor não é reconhecida como doença (ainda!).


Mais preciso é o termo” fenômeno do impostor”, cunhado pelas psicólogas americanas

Pauline Clance e Suzanne Imes, em 1978.


Enfim, o que acontece de fato?

Insegurança em relação às próprias capacidades, chegando ao ponto de conquistar algo e

acreditar que a situação não acontecerá novamente, por ter sido sorte ou por ter enganado muito

bem. A competência da impostora é enganar, se fazer de uma outra pessoa. Ela é uma fraude.

Quando meus três filhos tinham 3,6 e 8 anos eu trabalhava dois turnos num banco, como

gerente de marketing. No trabalho eu acreditava que conseguia enganar todo mundo, pois me

dedicava ao máximo, nem falava dos filhos e ao falar com a minha ajudante em casa eu ia para

um lugar privativo. Em casa eu enganava acreditando ser a melhor mãe do mundo e que o

meu trabalho não existia. Eu vivia enganando nos dois mundos, sempre querendo ser

competente e mostrando que eu não misturava as coisas. Na hora de dormir eu pensava:

como eu consegui fazer tudo isso? E amanhã? O que farei? Certo que descobrirão que não sou

tão boa assim, nem tampouco essa competente profissional ou essa mãe dedicada que eu

quero ser.


Esse alto índice de exigência associado a um forte nível de comparação traz uma sensação de

inferioridade. Pode-se levar também para a vitimização: “Claro, ela consegue porque é

solteira, sem filhos, jovem e.…bonita”.


Essa obrigação de buscar a perfeição nos leva para caminhos sem volta. Cada vez mais eu

quero fazer melhor do que alguém ou superar uma deficiência própria. A impostora vive na escassez e não na abundância, pois tem pouco para oferecer.


Na conversa que tivemos no evento do Ladies Wine&Design de Porto Alegre, a Gabriela Guerra, ex-Diretora Presidente da ThoughtWorks comentou sobre as diferentes reações de homens e mulheres ao receberem dela a notícia de uma promoção. Os homens agradeciam e topavam na hora, as mulheres pediam um tempo para pensar e perguntavam quais as competências que possuíam para terem sido escolhidas.


Há uma verdadeira obsessão para a eficácia em todas as situações e papéis que se exerce.

Em tempos de “likes” e reconhecimentos, esse fenômeno é ainda mais ampliado. Em cada

minuto do dia tem uma impostora esperando um elogio para a sua farsa. Ao tirar a máscara

vem a questão: Será que eu sou capaz?


Já que todas se identificam de alguma forma com essas farsantes que andam ansiosas por aí, o

evento encerrou com dicas ou podemos chamar de mandamentos. São eles:

1. Viva o presente, pensando nele: eu estou fazendo isso agora, entregando na hora

combinada. Eu sou capaz. Sou eu aqui, agora. (relaxar, respirar)

2. Eu estou expondo uma ideia e sou, sumariamente, interrompida por um homem. Dai

eu falo: “desculpe, preciso encerrar meu pensamento, aguarde um pouco, por favor? ”

(Lembre-se que os homens atropelam, acreditam que as mulheres são SEMPRE

prolixas)

3. Escreva as suas capacidades numa folha e pendure na geladeira. Elogios recebidos,

feedbacks, comentários sobre o seu trabalho, sua atuação, fotos, prêmio, medalhas

em competições. Visualize sua performance.

4. Acorde a sua vontade todas as manhãs: “eu sou capaz”, ”eu não sou perfeita” - tipo um

mantra.

5. Dê um abraço bem apertado em si mesma, olhe para o espelho, pisque o olho, sinal

de positivo com o dedo, uma risada: “uhu, como é bom viver”! (Parece ridículo, mas

funciona).


Melhor do que olhar para o espelho e perguntar: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais perfeita do que eu? ”


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