• Dulce Ribeiro

Diálogo, nem pensar

A criança parecia hipnotizada. O trânsito lento, malabaristas na sinaleira, um entardecer de chorar de tão lindo e ela grudada na TV, dentro do carro, no banco traseiro. Isso é muito avançado, tecnologicamente. Cena semelhante eu presenciei no restaurante. O carrinho com um porta-computador e o bebê grudado na tela enquanto os pais comiam, em silêncio. Bem, pensei que a TV fosse um modo de deixar o casal conversar. Que nada!


Lembro de sair para almoçar com meus três filhos pequenos. Levantar, embalar, comida fria, ninar, comida quente, muita conversa, palminhas, alguns livrinhos, brinquedos pequenos, tampinhas, garrafa plástica, chaveiro do carro, cadeirinha... tudo para distrair. As crianças sempre ficarão impacientes num almoço demorado. Agora, hipnotizá-las é o início de uma vida alienante. Não sei se mais tarde é esse pessoal que vai preferir ficar dentro do quarto, sob os protestos dos pais. Alienação é típico da nossa sociedade. Ficar triste é proibido, diálogo, nem pensar. 


Não sou favorável a TV no carro, no carrinho, no banheiro, no quarto, na cozinha. Acho que nesses lugares a gente deveria exercitar outras coisas.  Um bate papo com os filhos é artigo de luxo em muitas casas que praticam o diálogo na hora do comercial. Depois, volta o hipnotismo.


Psiuu, vai começar a novela!

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