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Currículo oculto

4.11.2016 | 18:18

Currículo oculto

O Guilherme é cliente do nosso projeto de coaching solidário. Além de estudar geografia e namorar uma estudante de letras, ele é poeta. Para ela, dedicou esse poema:

” Minha Geografia
Sei que da lua surgiu
Sei sua órbita
Sei sua latitude
Suas coordenadas são onde meus braços te abraçam
Te vi naquela escada
E vi também que assim seria
Pois tu era familiar como geografia
A princesa das línguas com um pobre guia
Jamais imaginei que te merecia
A cada por do sol eu me apaixono
A cada rotação contigo eu caso
A cada passo teu eu serei a tua localização
Tu és o mapa da mulher perfeita
E vou ser sincero
Eu tenho uma queda por mapa
Vou te observar até o universo retroceder
E quando isso acontecer
Sei que juntos vamos prevalecer
Com tudo ou no meio do nada
Na religião e na ciência
Eu sempre irei te estudar
Então eu te imploro agora
Me ensine a falar.

Autor: Guilherme Dorneles Espíndola”

Aos 18 anos, com a tenacidade daqueles que chegam onde desejam, o Guilherme acredita no mundo que inclui, que não aprisiona as pessoas em modelos e que traz as mesmas condições para todos.

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Quem está na sua frente

17.6.2016 | 17:20

Quem está na sua frente

Há famílias leves, pesadas, bem ou mal-humoradas. Outras podem ser deprimidas, pessimistas, otimistas ou eufóricas. Há muito mais, se quisermos catalogar. Ao nascer, recebemos uma herança cultural preestabelecida. Alguns transformam mais ou menos o modo de ser e viver do próprio núcleo familiar ao qual estão sujeitos. Falo isso por conta dos inúmeros julgamentos que fizemos em relação a quem é diferente de nós. Passamos mais julgando e excluindo do que compreendendo a diversidade comum a todos: somos diferentes.

Quando criança costumava dormir na casa de colegas da escola. Lembro da Lu, que era carioca. Me chamava atenção que na sua casa falavam palavrões. O seu irmão mais velho era deprimido, um termo que só escutei aos 12 anos. Mais tarde, quando dizia “eu estou deprê”, lembrava do irmão da Lu, um guri quieto, olhar triste, parecido com o pai dela. Eu achava que eles sempre estavam brigados.

Outra família que eu considerava diferente da minha era a da minha prima. Eles conversavam sobre temas que eu achava profundos e polêmicos. Ali ouvi falar de Sartre, de Freud e de Santo Agostinho. Eles nunca viam televisão, dormiam tarde, depois das 23 horas, e não tinham o hábito de fazer juntos as refeições. Eles eram introvertidos, segundo o meu olhar de agora. Minha prima era considerada genial na escola, tinha poucas amigas, essas, do grupo das “crentes”. Tive apenas uma colega, visivelmente, gay. Se vestia e falava como os guris. Não tinha mãe, era filha única e morava com o pai, que era muito educado e dava atenção para nós, suas colegas. Fazia perguntas, nos servia as refeições, preocupava-se em nos agradar. Ela era humana, engajada e defendia os interesses da classe. Como presidente do Grêmio Estudantil, organizou a primeira exposição de arte, incluindo trabalhos de estudantes de diversas escolas. Seu pai ajudou na organização. Ela assumiu a homossexualidade mais tarde.

Na minha casa nós éramos gozados e críticos. Meu pai tinha um humor fantástico e nós ríamos muito juntos. Já a crítica era fruto de preconceitos e juízos extremos, sempre feitos com uma ironia inteligente, que, em algumas vezes, machucava. Minha mãe era alegre e centralizadora. Com meus irmãos eu tive pouco contato, eram bem mais velhos.

Somos fruto dessa árvore que é a família, responsável por nossas crenças, hábitos e atitudes. Além disso, as influências ao longo da vida nos tornam ainda mais únicos. É quando perdemos a consciência dessa dimensão humana que passamos a nos considerar mais ou menos, melhores ou piores que os outros. Somos apenas diferentes.

Esse olhar hierarquizado, preconceituoso e pequeno sobre nós mesmos é insustentável e injusto. A diferença é a condição para nos transformarmos. É o que pode nos completar. E é preciso começar a refletir sobre isso, para que possamos experienciar um mundo viável, que nos acolhe e inclui.

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Ouvir é o melhor remédio

3.6.2016 | 16:23

Ouvir é o melhor remédio

Se eu colocasse uma mesa e uma cadeira na calçada e um cartaz com a frase “sente-se, estou aqui para lhe ouvir”, com certeza formaria-se uma longa fila. Após serem ouvidas, as pessoas sairiam melhores, mais animadas e com motivação para começar um novo dia. Eu não precisaria falar, apenas acolher.

Ouvir é uma atitude rara. Alguém disse que precisamos ouvir como se estivéssemos lendo um livro: sem sermos interrompidos, sem lermos o final antes do tempo ou entendermos a obra após a leitura das orelhas. É o mesmo que desejar um resumo da conversa para não perder tempo.

Pessoas que não têm o hábito de ouvir ficam impacientes e demonstram que o tempo de quem fala se esgotou ao balançarem os pés, tamborilarem os dedos ou interromperem com educação: “desculpe, mas já sei o que você vai dizer”. Hoje escutei que quanto maior a intimidade e a proximidade entre as pessoas, menor é a paciência para ouvir. Isso pode significar que os diálogos estão escassos em casa.

Eu me sinto muito valorizada ao ser ouvida. Me traz segurança, respeito e consideração. Adoro sentir que há interesse pelo que falo, mesmo que seja algo inútil, como contar que o voo estava lotado. Entretanto, muitos acreditam que o ato de ouvir é um ritual que leva tempo, precisa de preparo, ensaio, concentração. Que nada. Como ouvir é uma atitude que acontece no momento presente, pode-se ouvir sempre:, em pé, caminhando, trabalhando, em todas as situações nas quais uma boa conversa pode frutificar.

Está provado que líderes que são bons ouvintes têm mais chances de atingir seus resultados. Além disso, criam uma imensa cumplicidade com a equipe, devido ao interesse genuíno demonstrado pelas crenças, fortalezas e fragilidades de cada um. Você está ouvindo?

2 comentários
  1. Jeverson Lang
    14 de setembro de 2016 1:18

    Hoje conheci Dulce Ribeiro, na palestra de abertura da feira de empregabilidade e sustentabilidade na FAdergs, fiquei impressionado com a forma de palestrar, ela tem a visão de um ângulo que eu jamais imaginei ver num palestrante, ela foi no emocional, no se colocar no lugar do outro, em poucos minutos de palestra eu já estava encantado, parecia uma amiga conversando comigo …. obrigado por pessoas como você existirem e fazer momentos serem especiais!

    1. Dulce Ribeiro
      14 de setembro de 2016 17:50

      Jeverson,
      Muito obrigada por essas palavras. Para mim também foi um momento muito especial. Hoje cheguei no meu escritório dizendo para a Kaká, que trabalha comigo: Foi a melhor palestra que eu já fiz! Tudo fluiu, foi mágico. Assim como uma boa conversa entre amigos. Tu tens razão. Um abraço.

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